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Arquitetura efêmera será tema de workshop em JP Divulgação/Iesp

Arquitetura efêmera será tema de workshop em JP

Arquiteta espanhola Suzana Piquer falará sobre novidade e técnicas de criação na área.

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Notícias

A partir do próximo dia 16 até o dia 24 deste mês, estudantes e profissionais da área de Design de Interiores, Arquitetura e decoração terão a oportunidade para ampliar os conhecimentos com um workshop, que será promovido pelo Instituto de Educação Superior da Paraíba (Iesp). Para falar sobre o tema e apresentar as novidades e criações, a convidada será a arquiteta espanhola Susana Piquer.

Susana Piquer, que tem especializações em Arquitetura de Interiores pela Universidade Politécnica de Madri (UPM) e em Direção de Arte pela Zink Project, ambas na Espanha, falará sobre novos conceitos de arte e a importância do processo no desenvolvimento de instalações efêmeras.

O worshop será realizado em parceria com o VAASTU e podem participar estudantes e profissionais da área de arquitetura, design e decoração e ainda aquelas pessoas que trabalham com vitrinismo, cenografia e stands comerciais.

Confira a entrevista que a arquiteta concedeu ao coordenador de pós-graduação em Design e Arquitetura de Espaços Efêmeros do Iesp, Pedro Rossi.

Muito se fala de arquitetura efêmera, mas poucos sabem, de fato, o que isso significa e para que serve. Na sua concepção, o que podem ser considerados espaços efêmeros e qual a sua utilidade nos dias de hoje?

A arquitetura efêmera cria espaços adaptados para a sociedade atual. Estamos em constante movimento, e os espaços efêmeros se transformam segundo as necessidades e a rapidez que exige o mundo em que vivemos.

Servem para mudar o conceito de espaço que tínhamos até agora, onde tudo estava mais setorizado; servem para criar, a partir do contexto, espaços ou ideias que estavam presas; servem para reinventar o que nos rodeia, e, com ele, nosso ponto de vista.

O espaço público é um ambiente comumente cenário de intervenções urbanas de caráter temporário. Levando em consideração que a cidade é palco das trocas sociais e culturais mais importantes entre os indivíduos que a constituem, como você acredita que essas instalações efêmeras podem suscitar na sociedade algo novo e que chame atenção para a importância do espaço público?

É importante que os valores artísticos cheguem ao público em geral. Pode ser que exista uma parte da população que não esteja interessada em determinados movimentos, sejam artísticos ou sociais, e criar determinadas peças no espaço público faz com que o resultado passe a ser um bem comum.

É necessário que todo mundo tenha acesso à cultura, deve-se faze-lo fácil, e fomentar a criatividade.

Além dos projetos urbanos, há de ser consciente, também, do benefício que pode ter a arquitetura efêmera para os negócios: vitrines, storefronts...

Se além do mais se consegue que o público interaja com a instalação efêmera, criar um vínculo entre obra e público, conseguiremos que o visitante passe de seu papel de observador a viver uma experiência.

A criação de espaços efêmeros é quase uma atividade artística, que pouco ou quase nada possui regras ou normas acadêmicas. Como é a sua experiência como professora de escolas que trabalham com a concepção de espaços efêmeros em seus cursos? Quais são as principais dificuldades enfrentadas no ensino dessa disciplina?

É uma experiência muito gratificante. Eles aprendem e você aprende deles por entender outros pontos de vista e de evoluir ideias. É um intercambio de conhecimentos.

O ponto de vista global e multidisciplinar é vital nesse tipo de instalações, e isso faz com que estudantes de várias disciplinas possam aplicar seus conhecimentos na criação de espaços efêmeros.

A principal dificuldade é fazer entender a importância de amadurecer uma ideia, um conceito. Pode-se fazer algo realmente bonito, mas sempre é mais gratificante se podemos contar o motivo de cada detalhe. Essa é a parte mais importante e mais difícil, porque está cheia de matizes.

É complicado fazer com que uma classe se limite um ou dois dias somente falando, pensando, conceituando, sem no entanto poder criar nada, enquanto eles estão ansiosos esperando por ver o resultado final; quando o básico é amadurecer as ideias e colocar mãos à obra depois.

Para você, o que é um bom produto de Design e de Arquitetura?

Minha opinião é que um bom produto é aquele que se adapta às necessidades de seu usuário final. Há de se criar com sentido, ir mais além da beleza e fazer de um produto algo único: bonito, mas sobretudo útil.

Como se diz em catalão, há de se desenhar com seny; é uma forma de se dizer: sabedoria e sensatez. Trata-se da percepção bem meditada das situações, a sensatez, a consciência, a integridade e a ação correta.

O que você espera dos trabalhos que vai realizar no Brasil? O que mais lhe atrai em nosso país para criar instalações de caráter temporário? 

Estou ansiosa para começar: é uma cultura diferente, com umas influencias diferentes às minhas; onde vou encontrar materiais diferentes aos que estou acostumada. Espero ser capaz de captar toda a informação que eu puder!

Tenho muita vontade de colaborar com outras pessoas por lá, conversar com eles e aprender de seus métodos de trabalho.

Me atrai o Brasil pelo seu caráter, seu ritmo, sua história, e as influencias que têm feito que o Brasil seja como é agora. Acredito que ele está experimentando um boom cultural, como passou anteriormente na vertente musical, mas em nível de design. Criar uma instalação temporária em uma cidade em plena mudança, será o melhor.

Da Redação