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Cooperativismo

É precisamente na tentativa de neutralizar essa concentração atípica de riquezas que se amplia e ganha musculatura mundo afora o movimento cooperativista

Postado em por Irenaldo Quintans

Ninguém duvida de que o modelo atual de acumulação de riquezas centrado no consumo, vigente nas economias emergentes, está necessitando de uma revisão urgente. 

O chamado espírito animal do empresário, expressão cunhada por Keynes para traduzir esse, digamos, apetite para o lucro, saudável e necessário até certo ponto, muitas vezes extrapola os limites do razoável e propicia a geração de uma sobrevalia que, se mal distribuída, pode gerar enriquecimentos extraordinários.

E, prezado leitor, você há de convir que se alguém enriquece extraordinariamente, há algum outro elo, na ponta dessa cadeia, que empobrece em igual velocidade. Como dizia o saudoso economista Roberto Campos, em matéria econômica não há almoço grátis. Nossa pátria amada é um exemplo eloquente disso, haja vista a distância abissal e histórica entre ricos e pobres. 

É precisamente na tentativa de neutralizar essa concentração atípica de riquezas que se amplia e ganha musculatura mundo afora o movimento cooperativista.

Nascido no Século XVIII, na Grã-Bretanha, esse modal de produção, consumo e distribuição, definido pela Aliança Cooperativa Internacional como uma associação de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais comuns, por meio de uma empresa de propriedade comum e democraticamente gerida, abrange um amplo espectro de setores e se espalhou pelo planeta com o apoio entusiasmado de toda sorte de organizações públicas e privadas.

Tanto é assim que já chega perto de um bilhão as pessoas que optaram por associar-se cooperativamente, em nível mundial. Destas, mais de 6 milhões estão no Brasil, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Na nossa Paraíba os exemplos bem sucedidos são inúmeros, em praticamente todos os campos da economia. Há, por exemplo, uma destas que, graças a um trabalho piramidal, focado e honesto da categoria que lhe fundou, ostenta hoje uma posição privilegiada, num segmento bastante complexo.

Refiro-me Cooperativa de Crédito dos Médicos, a conhecida e admirada UNICRED, que hoje se transformou numa potência na sua área de atuação, propiciando recursos para o fortalecimento da economia paraibana, empregos e excelentes dividendos para os seus cooperados. A entidade, bem organizada e cuidadosamente administrada, opera com baixíssima inadimplência e transmuda em partilha toda a lucratividade obtida com as negociações levadas a cabo, permitindo aos partícipes o legítimo usufruto das vantagens do esforço cooperativista, na divisão anual dos bônus.

Na construção civil, o registro vai para a Cooperativa de Compras, COOPCON, implantada com grande êxito pela comunidade de construtores locais. Compartilhando as necessidades de insumos diversos das obras, empresários planejam e agrupam suas aquisições, de modo a fugir dos maiores preços e encarar com vantagem comparativa as comuns cartelizações de que é vítima o segmento. É um modelo em que ganham todos, compradores e fornecedores, exceto aqueles que têm no lucro exorbitante seu único propósito.

Parabéns, portanto, a esses guerreiros cooperativistas, que, com bom ânimo, liderança e extrema coragem, têm conduzido esse processo paradoxalmente antigo e ao mesmo moderníssimo, cujo escopo principal é transformar resultados individuais em conquistas coletivas.